“As Cem Melhores Crônicas Brasileiras” por Mila Tavares

Out 19

Eu acredito que todo mundo gosta de lê crônicas. Eu gosto. Às vezes quando a gente tá na sala de espera interminável de um médico e a única coisa que você pode fazer é folhear as revistas da década passada lá expostas, eu vou direito para as crônicas, pois me divertem mais.

Segundo o dicionário Michaelis, uma crônica é

1 Narração histórica, pela ordem do tempo em que se deram os fatos.
2 Seção ou artigo especiais sobre arte, literatura, assuntos científicos, esporte, notas sociais, humor etc., em jornal ou outro periódico, sempre do mesmo autor, geralmente refletindo suas idéias e tendências pessoais.

Ela não tem a intensão de informar acontecimentos ou mesmo de discursar. Está presente em revistas, jornais, mas não é notícia. Considerada como um gênero puramente brasileiro, segundo o crônista Joaquim Ferreira dos Santos, “o gênero é uma fina iguaria com direito à eternidade no paladar do leitor.” E foi através dessa definição, que o mesmo organizou o livro “As Cem Melhores Crônicas Brasileiras.”


O livro é daquelas delícias que a gente só consegue largar quando acaba. Dividido entre épocas que vão de 1850 aos anos 2000, o livro apresenta uma seleção minuciosa de autores clássicos da nossa literatura. De 1850 até os anos 20 nos divertem os grandiosos Olavo Bilac, Machado de Assis, José de Alencar e outros. Até os anos 50 lemos as obras modernistas de Oswald de Andrade, Vinícius de Morais, Graciliano Ramos e a maravilhosa Raquel de Queiróz. A partir dos 50 até os anos 70, temos a participação de Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Nelson Rodrigues, Millôr Fernandes e a imortal Clarice Lispector.
Na seleção que remete aos anos 2000, encontramos obras recentes de alguns que continuam na ativa ainda hoje, entre eles Chico Buarque, Arnaldo Jabor, Marcelo Rubens Paiva, Martha Medeiros e Xico Sá.

Ou seja, uma preciosidade só!

E para entendermos melhor o período das crônicas, Joaquim Ferreira dos Santos, antes de cada época, discursa sobre as características daquele tempo e em quais circunstâncias políticas e sociais as crônicas eram desenvolvidas. Em algumas delas, dá-se a perceber como eram os costumes e causos de outrora, ao falarem de amor, traição, tristezas, torcidas de futebol, o caos das cidades e outras mazelas sociais.

As Cem Melhores Crônicas Brasileiras é uma experiência linda em se tratando de patrimônio nacional ao reunir em um único volume a nossa rica e muitas vezes tão subestimada, literatura nacional.

Vivam os mestres! E boa leitura!

Pra finalizar, um trecho da introdução escrita pelo próprio Joaquim:

“A crônica não quer abafar ninguém, só quer mostrar que faz literatura também. Textos feitos para o momento e que, pela qualidade , vão ficar para sempre. Eis o breque deste livro. As cem crônicas e os 62 autores que transformaram um gênero, chamado ora de menor, ora de literatura de bermuda, num chorrilho interminável de grandes clássicos de referência de bons momentos em nossa língua.
(…)
No início da história que nos interessa, a crônica que surge na relação com a imprensa, os primeiros autores recebiam como missão escrever um relato dos fatos da semana. Eram os chamados ‘folhetins’. Aos poucos a tarefa foi entregue a penas geniais como a de Machado de Assis, na virada para o século XX, e o gênero, sem pigarrear, sem subir à tribuna, ganhou cara própria. Passou a refletir com estilo, refinamento literário aparentemente despretensioso, o que ia pelos costumes sociais. Narrava o comportamento das tribos urbanas, o crescimento das cidades, o duelo dos amantes e tudo mais que se mexesse no caminhar da espécie sobre esse vale de lágrimas. Eis a crônica moderna. Ela ocupa hoje pelo menos meia página diária em todos os grandes jornais brasileiros e, quando transformada em livro, como no caso das produções de Luis Fernando Veríssimo e Arnaldo Jabor, fica durante dezenas de semanas nas listas dos mais vendidos. É, sem dúvida, um fenômeno de aceitação popular, o contato mais contidiano do brasileiro com os grandes autores da língua.”

 

 

 

Tá curioso?

Caio 3D | Caio F. por Mila Tavares

Ago 15

Olá!

Esse mês eu não vou recomendar um livro, mas três. Verdade seja dita, vou recomendar um autor e todas as suas obras. É uma pessoa de quem eu gosto muito e que de cara me identifiquei quando comecei a descobrir os seus escritos cerca de 10 anos atrás. Não me lembro quando exatamente e nem como ele veio à mim… acho que foi em algum blog. Hoje não mais, mas há algum tempo no passado eu costumava ler bastante blog’s de poesia, de livros e artigos literários no geral. Na época eu escrevia também e isso me ajudava a fortalecer a minha criatividade e o que eu achava que era uma certa “veia artística.” Que nada! A vida de escritora não vingou, mas meu relacionamento com a leitura, e com o Caio Fernando Abreu, prosperou, e muito.

Caio F., como assinava suas cartas e como ficou conhecido, é um escritor vísceral; suas obras tem uma abordagem muito pessoal e falam de assuntos corriqueiros de forma corriqueira, sem parecer clichê, demagogo ou pervertido. Caio escreve sobre sexo, amor, ódio, homossexualismo, dores, dia-a-dia, amigos, parentes, corações partidos… tão natural, que muitas vezes parece que estamos tendo uma agradável conversa com alguém, às vezes apenas ouvindo, às vezes sendo ouvida, transcrita, sem dizermos uma única palavra. Eu sei, sou romântica, rs*.

Creio que a maioria das pessoas já ao menos ouviu falar do Caio F., visto que atualmente várias de suas frases têm aparecido diariamente em algumas páginas no facebook (algumas às vezes nem são realmente dele), mas vale a pena ir mais à fundo em sua obra.

Pra quem quer conhecer o Caio, eu sugiro a série “Caio 3D”, que divide em três livros o essencial de cada época na obra dele: décadas de 70, 80 e 90. Cada livro reúne então os principais textos, cartas, artigos, poesias e contos referentes à cada década. Eu sugiro lê-los na sequência cronológica e reparar no amadurecimento de suas reflexões e abordagens, ainda que os temas sejam em sua maioria as questões existencias e mazelas humanas, sua vivência amadurece também a sua forma de escrever. É impossível não se identificar com várias das situações que ele descreve e é impossível não se apaixonar pelo Caio como pessoa. No final de cada livro, há uma seleção de cartas pessoais que ele escreveu à amigos e parentes que refletem a sua personalidade. Eu, por mim, gostaria muito de ter sido amiga dele, companheira, confidente. Podem me chamar de louca, mas eu o tenho como um amigo querido. Muitas de suas palavras já me ajudaram quase que como terapia, porque me ajudam a pensar.

Tirando toda a firula sentimental, o que sobra é um escritor fodidásso com o perdão da palavra, que merece ser citado junto com os outros autores mais renomados do Brasil e que sim, abriu um gênero de escrita que atualmente muitos novos escritores vêm exercendo.

Eu selecionei um trecho de um conto muito expressivo pra mim, um dos primeiros que li. Chama “Dama da Noite” e está no Essencial da Década de 1980. Espero que vocês gostem!

Boa leitura!

“(…) Levanta não, te pago outra vodca, quer? Só pra deixar eu falar mais na roda. Você é muito garoto, não entende dessas coisas. Deixa a vida te lavrar a cara, antes, então a gente. Bicho, esquisito: eu ia dizer alma, sabia? Quer que eu diga? Tá bom, se você faz tanta questão, posso dizer. Será que ainda consigo, como é que era mesmo? Assim: deixa a vida te lavrar a alma, antes, então a gente conversa. Deixa você passar dos trinta, trinta e cinco, ir chegando nos quarenta e não casar e nem ter esses monstros que eles chamam de filhos, casa própria nem porra nenhuma. Acordar no meio da tarde, de ressaca, olhar sua cara arrebentada no espelho. Sozinho em casa, sozinho na cidade, sozinho no mundo. Vai doer tanto, menino. Ai como eu queria tanto agora ter uma alma portuguesa para te aconchegar ao meu seio e te poupar essas futuras dores dilaceradas. Como queria tanto saber poder te avisar: vai pelo caminho da esquerda, boy, que pelo da direita tem lobo mau e solidão medonha.
A roda? Não sei se é você que escolhe, não. Olha bem pra mim – tenho cara de quem escolheu alguma coisa na vida? Quando dei por mim, todo mundo já tinha decorado a tal palavrinha-chave e tava a mil, seu lugarzinho seguro, rodando na roda. Menos eu, menos eu. Quem roda na roda fica contente. Quem não roda se fode. Que nem eu, você acha que eu pareço muito fodida? Um pouco eu sei que sim, mas fala a verdade: muito? Falso, eu tenho uns amigos, sim. Fodidos que nem eu. Prefiro não andar com eles, me fazem mal. Gente da minha idade, mesmo tipo de. Ia dizer problema, puro hábito: não tem problema. Você sabe, um saco. Que nem espelho: eu olho pra cara fodida deles e tá lá escrita escarrada a minha própria cara fodida também, igualzinha à cara deles. Alguns rodam na roda, mas rodam fodidamente. Não rodam que nem você. Você é tão inocente, tão idiotinha com essa camisinha Mr. Wonderful. Inocente porque nem sabe que é inocente. Nem eles, meus amigos fodidos, sabem que não são mais. Tem umas coisas que a gente vai deixando, vai deixando, vai deixando de ser e nem percebe. Quando viu, babau, já não é mais. Mocidade é isso aí, sabia? Sabe nada: você roda na roda também, quer uma prova? Todo esse pessoal da preto e cabelo arrepiadinho sorri pra você porque você é igual a eles. Se pintar uma festa, te dão um toque, mesmo sem te conhecer. Isso é rodar na roda, meu bem.
Pra mim, não. Nenhum sorriso. Cumplicidade zero. Eu não sou igual a eles, eles sabem disso. Dama da noite, eles falam, eu sei. Quando não falam coisa mais escrota, porque dama da noite é até bonito, eu acho. Aquela flor de cheiro enjoativo que só cheira de noite, sabe qual? Sabe porra: você nasceu dentro de um apartamento, vendo tevê. Não sabe nada. fora essas coisas de vídeo, performance, high-tech, punk, dark. computador, heavy-metal e o caralho. Sabia que eu até vezenquando tenho mais pena de você e desses arrepiadinhos de preto do que de mim e daqueles meus amigos fodidos? A gente teve uma hora que parecia que ia dar certo. Ia dar, ia dar. sabe quando vai dar? Pra vocês, nem isso. A gente teve a ilusão, mas vocês chegaram depois que mataram a ilusão da gente. (…)”

Tá curioso?

Lerrinando sobre livro com a Mila | A Guerra dos Tronos

Jul 16

Eu me lembro que em casa, quando eu era pequena, minha mãe tinha uma bíblia católica enorme aberta na página do salmo 91.

Era um ato religioso muito comum antigamente, e quem é um pouco antigo como eu deve se lembrar. Geralmente essas bíblias eram enormes, extensas, com páginas sem fim e com uma letrinha super miúda. Daí vem o jeito de exclamar quando um livro tem tais características: “Nossa, que grande! Parace uma bíblia!” Pois então, o livro que eu quero recomendar hoje é desses que a gente olha e acha que parece uma bíblia. O livro chama-se A Guerra dos Tronos, de George R.R. Martin, o primeiro livro da série “As Crônicas de Gelo e Fogo.” Se você é uma pessoa antenada no mundo das séries, com certeza já ouviu falar nesse título; o livro foi adaptado em série, se não me engano, transmitida pela HBO. Eu, como não sou ligada nessas coisas, só fiquei sabendo da série depois que comecei a ler o livro.

Eu gosto de livros de fantasia e ficção, então quando pus os olhos no livro e li a sinopse, fiquei interessada na proposta. E acredito que mesmo quem não é lá muito fã desse tipo de leitura vai se envolver na trama que narra a história da disputa do trono dos sete reinos de Westeros, o mundo medieval criado por Martin.

Super rico em detalhes e com personagens muito bem caracterizados, conforme a gente avança na leitura, acabamos por criar vínculos e predileções na história quanto à personagens e seus destinos. É aquele tipo de leitura que te prende, que faz você querer sair logo do trabalho só pra chegar em casa e ler um pouco mais ou mesmo se esquecer de dormir, porque a história está tão interessante que você até esquece da hora! E quando você espera que algo aconteça e depois acontece tudo ao contrário e você fica indignada com tudo?!

É incrível o jeito como o Martin brinca com os fatos e os personagens a cada capítulo e as 587 páginas parecem poucas para tanta história (imagine então adaptá-los em 12 capítulos!). E de fato são; como eu mencionei lá em cima, A Guerra dos Tronos é o primeiro livro de uma série de 7 dos quais 5 já estão escritos e publicados no Brasil pela editora LeYa.

Terminei a minha leitura há pouco tempo e iniciei em seguida o livro 2 (A Fúria dos Reis) porque eu confesso que sou ansiosa, quero muito saber o que vai acontecer.

Martin virou um dos meus escritores preferidos pela sua originalidade e criatividade, fico empolgada só de pensar no que ele preparou àqueles que persistirem até o final! O autor está escrevendo atualmente o sexto livro e eu torço muito pela sua saúde, porque ele já é velhinho e como disse um amigo meu: “seria uma tragédia ele morrer antes de terminar de escrever o final!” Já imaginou?!

Me despeço deixando um link aqui em que é possível ler o primeiro capítulo do livro, só pra aguçar a curiosidade e estimular vocês à participarem da guerra dos tronos.

Boa leitura!

Mila

Tá curioso?

Lerrinando sobre livro com a Mila | “As Meninas”, de Lygia Fagundes Telles

Jun 25

A partir de hoje teremos dicas ilustres e muito sinceras da Mila sobre livros, aqui no blog. MAS antes de qualquer coisa, apresento-lhes: Mila Mayara Tavares!

 

Neurótica-psicótica, chorona e dramática. Desinteressante, tanto intelectualmente quanto sexualmente. Amo minha família, meus amigos e todos os animais do mundo, sou vegetariana, comunista, cristã e estou sempre de dieta.

 

AHASA OU NÃO AHASA? AUTÊNTICA COM PERSONALIDADE. A CARA DO LERRINAR!!!

 

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“ Um país se faz com homens e livros”, já afirmou Monteiro Lobato, um dos nosso escritores mais ilustres. É sabido que ler não apenas engrandece nosso vocabulário como também enriquece nossa capacidade de raciocínio e nos abre um mundo de idéias, aventuras e possibilidades. Ler aguça a nossa imaginação e nos faz viajar à lugares longíquos e à conhecer pessoas dentro dos limites entre a primeira e a última página: um espaço tão pequeno, para uma proposta tão grande!

 

 

Esaas características de uma boa leitura descritos acima me remetem ao livro mais interessante que eu já li na minha vida, e olha que eu já li alguns títulos consideráveis. O livro chama-se “As Meninas”, de Lygia Fagundes Telles. Apesar de ter sido maravilhosamente escrito durante a década de 70, ainda hoje a sua história é bastante atual e relata aspectos da sociedade que nos são ainda bastante pertinentes, como política, sexo e drogas.

As meninas são Lia, Lorena e Ana Clara: universitárias e moradoras do Pensionato Nossa Senhora de Fátima, que é o cenário da maioria das cenas do livro. A realidade fora dos muros da pensão é incômoda: vivem em plena ditatura militar e a faculdade está em greve. Na minha visão, o pensionato é quase como um personagem, protegendo as meninas do mundo lá fora de maneira quase que fraternal.

Lia (ou Lião) é baiana com descendência alemã, militante, estuda Ciências Sociais e tem um namorado que está preso. Lorena é de família tradicional, gosta de poesia, tem um amor não correspondido e estuda Direito. Ana Clara é aspirante à modelo, problemática, tem um namorado e um noivo e trancou a faculdade de Psicologia devido às faltas.

As personalidades e características dos personagens são tão reais, que eu me encontro um pouquinho em cada uma delas. E apesar de serem distintas entre si, as meninas partilham de um sentimento de amizade bem cúmplice, sendo companhia uma da outra nos mais diversos dilemas da vida.

A leitura divide-se principalmente em monólogos entre as meninas que expressam seus pontos de vista muitas vezes sobre o mesmo assunto, sendo tão frenquente e natural a mudança entre os tempos passado, presente e futuro nas narrativas que eu sempre me senti como que tendo uma conversa muito agradável, ora com Lia, ora com Lorena, ora com Ana Clara ou Ana Turva, como é chamada. Na verdade, a leitura flui tão natural quanto são os pensamentos, pelo menos é assim que eu encaro a forma de escrever da Lygia nessa obra (prima!).

Sou super suspeita pra falar porque tenho um caso de amor muito forte com cada uma delas, já li o livro dez mil vezes e a cada nova leitura algo diferente me surge aos olhos, é incrível! Já li outros livros da autora, mas nenhum me pegou tão profundamente quanto este. E não, não se enganem, não é um livro de “mulherzinha” ou escrito apenas para o público feminino. Tenho certeza que muitos caras se identificariam com Lia, Lorena e Ana Clara tanto quanto eu. A minha preferida é a Lia, mas me identifico mais com a Lorena, vai entender.

                          Foto retirada do filme brasileiro inspirado no romance

No mais, espero tê-los entusiasmado quanto ao livro. Sou fã, o que faz suspeita a minha opinião, mas re-afirmo que esta é uma leitura não só de entretenimento, mas também de reflexão pois o mundo ilustrado aqui é o nosso mesmo, com todas as suas esperanças, frustrações, perplexidades e paixões. Pra finalizar, deixo-vos um trecho do livro, sobre a ótica de Lorena.

Boa leitura!

“ (…) Os loucos reinando sobre os vivos e mortos. Dominarão os poucos que conseguirem segurar as rédeas da loucura, quais? Pulmões e mentes poluídas. Importante papel está reservado aos psiquiatras. Aos profetas, acredito ainda mais nos profetas. Acho que eu seria mais útil se estudasse Medicina, de que vão adiantar no futuro as leis se agora já são o que se sabe. Uma psiquiatra maravilhosa. O chato é que quando leio um livro sobre doenças mentais, descubro em mim o sintoma de quase todas, uma psiquiatra por dentro demais da loucura. Salva pelo amor. Ai meu Pai. Por que M.N. não me telefona ao menos para dizer… Não sou bonita, ponto pacífico. Mas meu QI não é muito acima do normal? E tenho algum charme. Muito velado, é certo, mas se procurares encontrarás o ouro escondido na terra. L’or caché. Fecho meu tratado já tradadíssimo, queria entrar em provas, ah, essa greve. Houve um tempo (longe, não?) em que estudávamos juntas, Lião e eu. Ana Clara não estava assim tão ambulatório-delirante, coitadinha. Estudava com a gente um ou outro problema, borboletava sobre seus planos e depois ia experimentar meus vestidos mas não pertubava muito. Tempo das pesquisas, Lião ainda não estava curtindo a revolução, estudava normalmente. Estatísticas. Formulários. Chegou a fazer um trabalho para pesquisar o que leva o motorista a dependurar berloques no espelhinho do carro. Dois grupos nítidos:os que dependuram coiselhas e os que não dependuram nada. Estes, revelando evidente superioridade intelectual sobre os outros, na conclusão lionina. Pra mim, uma simples visão de bom gosto, ouviu M.N.? Platão dependuraria o sapatinho do filho no espelho do seu Porsche? (…)“

 

Mila :D

Tá curioso?

Você, você, você quer? Então vem!

Jun 19

Você curte ler? Pelo menos um livro por mês?   Venha lerrinar sobre os livros aqui no blog. YAY! Se tiver afim, é só responder o questionário abaixo pra eu saber quem é você :D

Tá curioso?
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